Mostrar mensagens com a etiqueta 1957. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 1957. Mostrar todas as mensagens

21/04/2012

Doutor Jivago, de Boris Pasternak

Lisboa: Sextante Editora, 2010 (1957), pp. 562, 29,90€

Um dos grandes romances da literatura do século XX, um dos grandes romances russos de sempre: um clássico.

A um leitor ocidental contemporâneo chama a atenção a grande quantidade de personagens do romance (algumas edições até contêm um índice de nomes). São centenas deles, cada um com nome, apelido e patronímico, cada um com a sua história, com o seu percurso de vida único e irrepetível. Como os numerosos comboios do romance, cada um com o seu itinerário e as suas paragens, com o seu destino.

De facto, este parece o tema predominante do romance, além das histórias pessoais dos seus protagonistas principais, humanas e fascinantes. Num contexto de socialismo, de estatalismo uniformador, de colectivização e de alienação do indivíduo, Pasternak faz emergir o «eu» de cada ser humano, na sua maravilhosa unicidade. E faz perceber como é a pessoa quem protagoniza a história, e não os sindicatos, a Revolução de Outubro ou o regime soviético.

Com uma visão muito afastada de qualquer moralismo ou lógica do sucesso, Pasternak apresenta, de facto, uma realidade cativante que produz a adesão simples aos factos, à vida. Não é por acaso que a tradução literal do apelido do protagonista, Jivago, significa «o vivente».

17/11/2008

Um bom homem é difícil de encontrar (A good man is hard to find), de Flannery O'Connor

Lisboa: Cavalo de ferro, 2006 (1957), 235 pp., 13,5€

Poderíamos dizer o mesmo dum bom livro: nem sempre é fácil de encontrar. Mas quem procura tem mais probabilidades de o encontrar.

Seria um bom lema para as personagens dos 10 contos recolhidos nesta colecção, primeira de dois séries publicadas recentemente em língua portuguesa. Há algumas que não procuram nada, que calculam os benefícios e prejuízos de cada evento, que já sabem. Há algumas ainda piores: proclamam-se inclusivamente crentes (como a Autora católica), acreditam na bondade do género humano, têm uma fé sem fundamentos, mas qualquer imprevisto lhes tira do sério.

E imprevistos há mesmo muitos nos contos de Flannery O'Connor. Nunca o leitor sabe o que se vai passar, ou então, quando se vai lendo e conhecendo o seu estilo, nunca o leitor deseja o temido final que pressente que ela está a preparar. Por vezes cruel no seu humorismo, quase à la Quentin Tarantino, não deixa de arrancar um sorriso e de fazer pensar mais do que parecia a primeira vista.

«Teria sido uma boa mulher», diz uma das personagens logo a seguir ao assassínio dessa mesma mulher, «se tivese estado lá alguém para a matar em cada minuto da vida dela». Com certeza, os leitores encontarão nesta leitura incentivos para não merecer ser mortos.