18/04/2011

Existe Deus?, de J. Ratzinger e P. Flores d'Arcais

Lisboa: Pedra Angular, 2009 (2000), pp. 155, 14,00€

«Um confronto sobre verdade, fé e ateísmo», é o subtítulo desta obra, que recolhe um ensaio de cada um dos dois autores da capa e a transcrição de um debate público entre ambos no ano de 2000. Então, Joseph Ratzinger era Cardeal e representava a Igreja Católica enquanto «guardião» dos dogmas e da fé, enquanto Paolo Flores d'Arcais era um dos filósofos, professores e homens de cultura que melhor representava o ateísmo italiano ou até europeu dos nossos dias.

Perante este panorama, a impressão é que vamos acompanhar duas linhas paralelas de pensamento e erudição, que só com muito esforço se vão encontrar, e ainda mais dificilmente vão aceitar pontos de verdadeiro diálogo. Se isto pode ser verdade para os ensaios recolhidos, sobre o tema da possibilidade da existência de Deus, não é bem assim no que diz respeito ao debate (que é o texto principal do opúsculo).

Moderado por um intelectual judeu, Gad Lerner, o tema da existência de Deus é proposto de forma pacífica e pouco polémica. Cada um dos dois autores defende e explica as razões que os levam a conclusões opostas, mas sem entrar na banal réplica ou no ataque despropositado. Assim, o leitor aprende com ambos, algo que não se deve desprezar nos tempos que correm...

09/04/2011

Música callada, de Frederic Mompou (1959-1967)

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É difícil descrever ou categorizar esta composição de 28 trechos compostos ao longo de 8 anos pelo espanhol Mompou (1893-1987), a partir duns versos de são João da Cruz: «A noite sossegada (...) / a música calada / a soledade sonora».

O próprio Mompou comentou: «Esta música é calada porque a sua audição é interna. Contenção e reserva. A sua emoção é secreta e somente toma forma sonora nas suas ressonâncias sob a fria abóbada da nossa soledade, penetrando nas grandes profundezas da nossa alma».

É música singela, pura, essencial. Difícil de descrever por palavras. A quem conseguir deixar-se arrastar pela sua sonoridade porém, aguardam grandes descobertas.

Versões aconselhadas: uma gravação de 1974 do próprio compositor, ou a mais recente pelo pianista Javier Perianes.