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09/02/2016

Se Deus quiser (Se Dio vuole)

Edoardo Falcone, 2015
Um médico ateu, cheio de si próprio e de belas frases feitas, vai encontrar-se perante uma situação familiar que o deixará em xeque. Surpreendidos por um cenário inesperado, cada um dos elementos da sua família reagirá de forma diferente. A figura de um padre católico poderá estar no centro do problema emergente, ou da sua solução. Sem dúvida, médico e padre serão o centro narrativo desta comédia.
Sim, este início de história de facto pertence a uma comédia. Aliás, a uma comédia mesmo hilariante. Se bem que algumas personagens, sobretudo aquelas mais laterais, por vezes podem parecer caricaturas simplórias, na realidade desenvolvem papéis sempre interessantes e fora do previsível.
A maior novidade da estreia cómica deste realizador italiano é que o tema religioso, central no desenrolar-se da história, é tratado com enorme respeito, sem demasiados clichés e sem as habituais quedas na ordinarice ou na palhaçada. Mesmo na maior comicidade, há um fundo muito sério nesta história que, além de produzir algumas gargalhadas, deixa alguns tópicos e imagens para a nossa reflexão.

04/01/2016

A juventude (Youth)



Paolo Sorrentino, 2015


Quando o jovem actor Jimmy aparece caraterizado de Hitler, depois duma longa preparação para aquele que será o seu novo papel, confessa que por fim irá desistir. Porque? Porque esteve a observar as pessoas à sua volta e escolheu não deter-se no terror, mas falar do desejo. «Cada um de vocês abre os meus olhos» e, por diferente ou estranho que seja o desejo de cada um, é isso que nos torna seres humanos. A seguir, vemos um plano de um monje budista a levitar, numa clara referência transcendente.
Assim é o cinema de Sorrentino: escolhe falar do desejo, das «emoções», segundo as palavras de outra das personagens. Com estupenda simpatia e ironia, com realismo e graça, às vezes com excessiva nudez e crueza, a sua câmara filma de forma espectacular aquilo que é humano e nos constitui.
O tema principal é uma reflexão sobre a essência da juventude, desde o ponto de vista paradoxal de um par de amigos idosos que passam férias num complexo nos Alpes. Mais do que uma definição, procuram-se imagens, contrastes, várias faces da mesma experiência, novas luzes que iluminam aquilo que todos já vivemos duma ou outra maneira.
Mais uma grande beleza.