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29/03/2012

East of Eden (A leste do Paraíso)

Elia Kazan, 1955

Baseado na parte final do romance do Nobel da Literatura John Steinbeck, o primeiro dos filmes protagonizados pelo mítico James Dean é justamente considerado um clássico do cinema. Numa revisitação da história de Caim e Abel, lê-se entre as linhas o tema dum irmão que «mata» o outro e é condenado a viver errante, nas terras «a leste do Paraíso» (Génesis 4).

A tendência moralizante e moralista de Steinbeck é balançada nesta versão para ecrã pelo realizador Elia Kazan, quem pelo contrário prefere questionar uma visão simplista dos «bons» contra os «maus» da fita, e prefere colocar-nos perante personagens fortes, indomáveis, contraditórias.

Diz-se que Kazan teria querido Marlon Brando no papel desempenhado por Dean, e de facto é esta a personagem mais valorizada no filme, aquela que se faz amar mais. Levados também pela namorada dividida entre os irmãos, somos atraídos por este homem a um tempo perigoso e frágil, juvenil e violento, inadaptado.

Apesar do desenlace forçado, ficam no espectador algumas questões abertas sobre uma América que vive sustentada por aqueles que não acreditam nos seus ideais e, mais particularmente, sobre os indivíduos que não encontram lugar certo numa sociedade em crise de valores.

04/10/2011

Pela estrada fora (On the road), de Jack Kerouac

Lisboa: Relógio d'Água, 2011 (1955), pp. 344, 19,00€

«“We gotta go and never stop going till we get there” “Where we going, man?” “I don't know but we gotta go”». É talvez o mais célebre diálogo, não só deste romance, como de toda uma geração. Chamada nos anos 50 e 60 de geração beat, descreve os grupos de jovens «rebeldes» à volta do jazz, a marijuana e o amor livre.

Lançados pelas estradas dos Estados Unidos, vão, andam, sem parar, mas também sem saber aonde. Aliás, no desenvolvimento deste romance paradigmático deste movimento literário, percebe-se que a chegada ao ponto prefixado é quase que uma tragédia: a monotonia e o burguesismo contra o que se rebelam.

Se bem toda esta imagística está hoje superada, há no livro belíssimas sugestões ideais, que infelizmente também ficaram obscurecidas pelo cepticismo contemporâneo. Exemplos: «Tenho seguido ao longo de toda a vida as pessoas que me interessam, os loucos, os loucos por viver, loucos por falar, loucos por ser salvos, desejosos de tudo ao mesmo tempo». «Tentava comunicar-lhe a minha excitação sobre a vida e sobre as coisas que poderíamos fazer juntos. Estávamos deitados, olhando para o tecto e perguntando-nos o que teria Deus pensado para fazer a vida tão triste». «Nunca me senti melhor e mais feliz com o mundo e olhando para crianças maravilhosas que brincam ao Sol»...