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18/05/2012

Cartas a um jovem católico, de George Weigel

Coimbra: Tenacitas, 2012 (2005), pp. 256, 18,50€

«Basta ver um cartaz de cinema, entrar numa livraria ou ligar a televisão para nos apercebermos da imensidade de propostas eclécticas e confusas da cultura actual. Naturalmente, no melhor dos casos um jovem dos nossos dias só pode ficar perplexo e desorientado. Ou, no pior, céptico e prisioneiro de uma mentalidade comum tão informe quanto uniformizada.

»Apesar de tudo, a maior parte dos jovens portugueses do início do século XXI recebeu uma iniciação na fé católica e porventura reconhece-se explicitamente como católica. É principalmente a eles que se dirige este livro, sejam praticantes ou não, tenham mais ou menos dúvidas, tenham ou não participado alguma vez nas Jornadas Mundiais da Juventude.

»A cultura católica continua também hoje a propor-se como alternativa a essa grande confusão em que vive o homem contemporâneo. Não como mais uma alternativa a escolher entre as muitas, mas como algo tão fascinante, misterioso e totalizador que desperta um interesse nunca antes imaginado. Poderíamos dizer, com uma imagem, que se propõe como aquele primeiro amor, genuíno e puro, que faz com que todos os outros pretendentes à conquista do próprio coração sejam desclassificados de imediato» (Do Prefácio, por Luis Miguel Hernández).

14/12/2009

Versos, de Amália Rodrigues

Lisboa: Cotovia, 2005 (1997), pp. 125, 12,00€

«O que distingue os poetas / os faz distintos da gente / é dizer em duas letras / o que toda a gente sente». Será que Amália se pode incluir na definição de «poeta» que ela própria dá nesta quadra?

A colecção de Versos que apresentamos quer responder «sim» a esta pergunta, colocando nestas breves páginas (com muito espaço branco, mas pouco bem apresentadas) uma colecção de poemas gravados, poemas não gravados, poemas cantados e umas cartas em verso.

A simplicidade do estilo não poderia ser maior, facto que pode ser considerado virtude ou limite. Os amantes da poesia clássica encontrarão quadras tão simples que parecem obra duma criança, e hão-de concluir que musicadas podem ter um seu valor, mas que em papel não prestam. Pelo contrário, aqueles que estiverem pouco familiarizados com a experimentação literária e com os recursos estilísticos requintados encontrarão uns textos de fácil leitura, lineares, compreensíveis à primeira vista.

Ambos tipos de leitores, porém, deverão reconhecer que o conteúdo destes versos, por muito simples e essencial que seja, brilha pela sua força e universalidade. Aqueles sentimentos de amor, tristeza, paixão e ternura pertencem-nos a todos. A fim de contas, dizem, em duas letras, «o que toda a gente sente».

05/06/2009

O grande silêncio (Die Grosse Stille)

Philipe Gröning (2005)

Para quem chegar a tempo, no Sábado 6 de Junho pode adquiri-lo com o jornal Publico, a preço económico. Mas também se encontra nas lojas.

Trata-se dum documentário sobre a vida dos monges da Cartuxa do Mosteiro de La Grande Chartreuse, nos Alpes franceses, próximo de Grenoble. O realizador lá passou 6 meses da sua vida, filmando tudo o que conseguiu. A condição era não acrescentar luz artificial, músicas ou comentários, e assim ele fez. O resultado: 3 horas de grandes silêncios e de profundas sugestões.

Quem pensar que a vida num mosteiro de clausura é desinteressante, será surpreendido pela vida que se monstra: trabalhos agrícolas, de costura, vida comunitária, liturgia e até passeios na neve. Desde o olhar poético duma discreta perspectiva, sem grandes pretensões interpretativas.

É este o aspecto mais interessante do filme, e também o seu limite: o realizador não «impõe» uma narração temporal, uma sequência lógica, um argumento. A meditação decorre no ritmo próprio do mosteiro, e o espectador tem que deixar-se arrastar por ele: pelo canto gregoriano, pelos sons da natureza, pelas poucas palavras dos ritos mostrados ou do (fenomenal) testemunho final do frade cego. E, sobre tudo, pela imagem.

Quem achou pesada a realização de Dreyer ou de Bergman, não se vai dar bem com Gröning, mas vale a pena dar-lhe uma oportunidade.

26/03/2009

O cubo e a catedral (The cube and the cathedral), de George Weigel

Lisboa: Aletheia, 2006 (2005), pp. 151, 13,00€

Weigel escreve com grande mestria jornalística e com sabedoria multiforme. É muito simples porém a leitura dos breves capítulos/artigos que formam este breve ensaio sobre «a Europa, a América e a política sem Deus», segundo reza o seu subtítulo.

Católico activo em diversos frentes, em particular na área da ética, este biógrafo de João Paulo II é colunista regular em jornais americanos e sabe bem do que está a falar. Ao analisar polémicas como a crise demográfica, a Constituição Europeia, as relações euro-americanas, ou o declive da cultura cristã, aborda temas cheios de lugares comuns, que a sua séria investigação esclarece.

É verdadeiramente interessante o seu estudo das raízes culturais da Europa (e, por conseguinte, da América). Por exemplo, simplifica grandes problemas contemporâneos a través do estudo da prerrogativa da Igreja na luta das investiduras com Gregório VII, ou corrobora as origens do sistema democrático na eleição dos superiores dos mosteiros beneditinos medievais.

A sua interrogação principal cresce a medida que avança a leitura: «É possível construir e manter de pé uma comunidade política democrática sem os pontos de referência morais que o Cristianismo tem para oferecer?». Ao leitor cabe procurar a resposta.